Trabzon e o lindíssimo Monastério de Sumela

A terceira parada na viagem pelo Mar Negro foi Trabzon. Lá, tive a sorte de novo de ficar na casa de couchsurfers que me levavam pra passear e conhecer a cidade! 🙂

Em Trabzon, assim como em toda a Turquia, também existem muitas casas de chá tradicionais (çayevis), mas eu queria ver algo diferente. O Zafer, um dos couchsurfers, me levou até uma casa de chá ao ar livre, no alto de uma montanha. Adoro como na Turquia tem tanto lugar lindo no alto da montanha com vista maravilhosa para o mar! ❤ Em Rize, em Çayeli, em Trabzon e também muitos em Istambul.
vista

casa de cha fora

Nesse lugar aonde fomos, o Boztepe Çay Bahçesi, eles servem chá em samovars, aquele aparelho de chá russo.

samovar1

samovar 2

Nos outros dias, o outro couchsurfer da casa, o Basar, me levou pra fazer um giro de cafés, e visitamos vários lugares bonitinhos. Em um desses lugares, olhando pela janela, vi três ou quatro casais de homens andando com os braços enganchados. Não poderia deixar de perguntar:

– Achei legal que aqui em Trabzon não tem tanto preconceito, não é tão conservador. Em Borçka (onde trabalhei em uma plantação de chá por um mês, leia aqui), eu não via nenhum gay na rua.

– Aqui até tem, mas não muitos assumem publicamente.

– Mas eu acabei de ver uns 3 casais.

– Onde?

– Ali ó, mais um, andando enganchados.

– HAHAHAHAHAHAHAHA

– O quê?

– Hahahaha. Eles não são gays, são amigos.

– Então, por que eles estão andando assim?

– Porque aqui, os amigos andam assim às vezes. Não tem nada a ver.

Viu só! Mesmo sem querer e sem ter preconceito, o julgamento estava na minha cabeça. Só por ver homens enganchados, achei que eles eram gays. Nossa sociedade e os padrões ditados por ela. É preciso se distanciar para perceber o quanto estamos contaminados. Depois desse dia, comecei a reparar que realmente muitos homens andam assim em Trabzon. E não há nada errado nisso.

Mas é fato que, em Trabzon, eles já são bem menos conservadores do que em Rize ou Borçka. Já se vê quase a mesma proporção de homens e mulheres na rua, como em Istambul. (Em Borçka, era uma mulher a cada 20 homens.)

O MONASTÉRIO DE SUMELA

Depois de visitar todos os cafés e casas de chá, comer todas as comidas típicas e andar à toa pelo centro da cidade, resolvi fazer um pouco de turismo. Que bom! Porque realmente valeu a pena.

monasterio 1

monasterio 2

O Monastério de Sumela é um monastério ortodoxo, fundado em 386 d.C. Sim, na Turquia existem muitas igrejas cristãs. Mas, infelizmente, muitas delas sofreram degradação por parte de muçulmanos radicais descontentes com a presença de templos cristãos.

arcos montanha

Por exemplo, os lindos afrescos pintados no interior e exterior da capela principal estão destruídos. Os rostos de alguns santos foram apagados. Os olhos de olhos foram danificados. Nas paredes mais altas, marcas de apedrejamento. Acreditava-se que, ao destruir o rosto ou os olhos da pintura, seria como matar essas imagens. Triste. As pinturas são tão lindas.

detalhe olhos

mural

No interior da capela principal ainda tem algumas pinturas que não sofreram tanta degradação.

capela fora

capela inteira

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pinturas1

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santos brilhantes

Além de visitar esse lugar lindo, também fiz amigos coreanos. Com eles, comi chocolate coreano e descobri que a moda na Coreia é tomar café e não chá. O chá é tão tradicional no país que os jovens querem é ser diferentes. “Em Seul, todo mundo quer ser nova-yorkino. Por isso, todo mundo se veste que nem nova-yorkino e vai no Starbuck’s.”.

dani e dae hoon

Elogiei o modelo de educação da Coreia do Sul. Mas, o meu amigo Michael (ele tem um nome cristão/ocidental) disse que as famílias são rigorosas demais com os estudos. Ele queria ser artista. Mas na Coreia “não pode” ser artista. “Estude, estude, estude!”, disse ele. “Meus pais não queriam que eu “perdesse tempo” desenhando.”.

O Michael, ou Dae-Hoon, também me contou que tem umas passagens baratézimas da Coreia pro Japão. Da China pro Japão é um absurdo de caro. Ele disse que vai achar as passagens pra mim, porque os sites só estão em coreano, não em inglês. Oba! Viajar pra mais um país e ainda economizar! Quando eu descobrir que companhias aéreas são essas, conto pra vocês!

Adorei ser turista, visitar o monastério e visitar a Coreia através dos olhos de um coreano. Amanhã tem post com mais histórias do Dae-Hoon.

Beijos e muito chá!

janelas