Meus colegas agricultores da საქართველო

Sou péssima em Geografia. Antes de vir pra Turquia, quando falavam em Geórgia, eu pensava em negonas cantando soul nos Estados Unidos. Mas existe um país chamado Geórgia, que faz fronteira com a Turquia, a Rússia, o Azerbaijão e a Armênia.

A Geórgia (ou საქართველო – adoro essas letras em caracol) é um país pobre. O salário mínimo deles é de 100 dólares por mês. É por isso que eles vêm pra Turquia trabalhar em plantações de chá. São como freelas agricultores. Trabalham alguns dias em cada fazenda, colhendo chá. Aqui em Çifteköpru, eles ficaram por três dias. Das 7h às 18h, com pausa só para almoçar rapidinho, na plantação de chá mesmo. Por cada dia trabalhado, são 60 liras (aprox. 70 reais).

ciftepugar copy

Bom dia, Çiftepugar linda!

Eles são quatro, mas comem por oito. Nesses três dias, quem fazia a comida pro mutirão era a Danizinha aqui. Aqui, sou homem e sou mulher. Trabalho na roça e na cozinha. Pensa na quantidade de panelas e pratos. Duas rodadas de comida por dia, primeiro pros georgianos, depois pra mim, pro Yasar e pro Cemal. Três refeições por dia.

No primeiro dia, eu queria cozinhar com frufru. Temperinho aqui, temperinho ali. Prato especial, blábláblá. O Yasar me disse: quantidade, não qualidade. Depois, eu só abria o saco de feijão e jogava inteiro na panela. hahaha Quilos e quilos de comida. Pilhas e pilhas de panelas e pratos pra lavar. E, depois, voltar pra plantação.

Além de cozinheira e agricultora, também tenho que trabalhar para o blog, escrever e fotografar. A primeira vez que eles me viram com a câmera, ficaram desconfiados, tímidos. No último dia, estavam até posando pra foto.

os quatro

Os quatro trabalhando, sincronizados. Dá pra ver bem a diferença entre os arbustos antes e depois da colheita! 🙂

São quatro trabalhadores, o Irakly, o Mamuka, o Temur e o Anzor, meu favorito. O Anzor é um velhinho que deve ter uns 65 anos. Na frente das lentes da câmera, sempre abria um sorrisão. Velhinho feliz. Pensa, fazendo serviço braçal nessa idade… Sempre que eu olhava pra ele, ele respondia com um sorriso. Fofinho. Vontade de guardar num potinho.

anzor

O Anzor. Olha que velhinho fofo, meu Deus do céu!

O Irakly é o mais fotogênico. Parece da família Adams. haha É o único que trabalhava sem luvas, e com sua camisa verde xadrez, pra ornar com o verde da plantação. Ele começou tímido. Mas ficamos amigos quando estávamos socando e pisando o chá colhido no alto do caminhão, na hora de mandar o chá pra fábrica.

irakly

Esse é o Irakly!

O Temur era mau-humorado. Tampava a cara na hora das fotos e resmungava. O grumpy da galera. Mas, depois que ele me viu correndo pra lá e pra cá, colhendo chá, cozinhando e tudo mais, ele ficou de bem comigo. Na plantação, ele disse pra eu não colher chá, mas ficar só sentada olhando. Disse que eu sou super. 🙂 Ontem, eu insisti muito e ele posou pra essa foto aqui.

temur

Fazendo pose em cima do caminhão que levou o nosso chá pra fábrica! 🙂

E o Mamuka quase não falou comigo. Esse é o Mamuka. (Adorei o nome dele)

mamuka

Oi, Mamuka! (parece apelido de mamãe! haha)

Quando eles foram embora, juro que fiquei com o coração apertado. Tão fofinhos os trabalhadores da Geórgia. Não quero que o velhinho queridinho vá embora. Vou ficar com saudades.

todos caminhao

Chegou o caminhão que vai levar o chá embora! Vão-se embora também meus colegas agricultores da საქართველო.