Não é fácil ser mulher no Oriente

Não é fácil ser mulher no Oriente. Já é difícil pra mim, que sou ocidental. Mas o que as mulheres passam desse lado do mundo consegue ser ainda pior.

Aqui em Istambul, as mulheres islâmicas andam cobertas, dos pés à cabeça. Óbvio que tem muitas turcas que andam com roupas ocidentais, shorts curto, saia, blusinha. Mas mesmo assim, os homens olham demais. Já levo meus 40 dias em Istambul e agora já não me incomoda tanto. Aprendi a dizer Shame on you em turco e assim eles param rápido. Mas não sei explicar. Aqui, não é aquela olhadinha discreta de brasileiro, depois que a mulher passa. Minha impressão é que a cidade está cheia de pedreiros. Eles olham cada centímetro do seu corpo. Às vezes, do seu lado, a 2m de distância. E falam coisas que fico feliz de não entender. Quero ver quando eu aprender bem a falar turco.

Reparo muito nos casais islâmicos. O homem de boa, bermuda e camisa. E a mulher toda coberta, num calor de 40 graus. As árabes, então, todas de preto. Só os olhinhos à mostra. Dá pra ver o suor escorrendo pelas sobrancelhas. Sorriem com os olhos. Ainda não tive a oportunidade de perguntar para alguma muçulmana se elas acham ok que só elas tenham que se cobrir. Não estou discutindo sobre religião. Nada contra. Estou falando sobre seres humanos que sentem calor. O outro detalhe que reparo nos casais é que, muitos dos homens, com a mulher toda coberta e protegida do lado, olham para as mulheres com roupas ocidentais como se não houvesse amanhã. Fico chocada.

Planejando minha viagem para visitar plantações de chá, tenho que ser extremamente cuidadosa. Antes de comprar minha passagem para o nordeste da Turquia, meus amigos me avisaram que lá é perigoso. Que nem mulher turca anda por lá sozinha. Outros dizem que o problema está dentro das casas, quem sofre são as esposas. O Texas da Turquia. Todos andam armados. (Mãe, espero que você não esteja lendo esse post.) Pra minha sorte, um dos meus amigos turcos tem família lá e, segundo ele, é uma das famílias que causa temor na cidade.

Próxima parada, Índia. Se eu não fosse mulher, queria passar uns 3 meses lá. Tem tanto pra ver. Tanta diferença. Tantas plantações de chá. Não tenho medo da pobreza. Não tenho medo da sujeira. Não tenho medo de ter dor de barriga. Mas essa história de estupro. Essa onda não é boa. Queria mesmo mesmo ser homem agora. Até pensei em brincar de Joanna D’Arc, raspar o cabelo e usar roupa de homem. Pensei bastante nisso, queria tanto passar tempo lá… Mas se algum indiano maluco descobrisse, poderia ser ainda mais perigoso.

Pra minha sorte, vou viajar esse trecho com o meu namorado. Ainda assim, tem que tomar muito cuidado. Li diversos blogs e artigos sobre mulheres viajando pela Índia e as dicas vão desde usar roupa indiana até comprar um anel de ouro e dizer que você é casada com um homem da família X em Nova Delhi. Nada de andar à noite e nada de usar transporte público. Nada de ir para lugares isolados. Mas como é que eu vou visitar uma plantação de chá nesse país? Sem falar que fui avisada para não ir para Assam, a 2a região de chás mais importante depois de Darjeeling, porque lá as pessoas são sequestradas. Não se recomenda andar sem seguranças armados. Desisti de ir pra lá, óbvio. Em que mundo vivemos?

Na China, sei que não corro risco nenhum. Pelo menos, por lá, nesse quesito, existe respeito. Ou talvez, esteja protegida pelas regras e leis. Mas as mulheres de lá sofrem também. E é muito triste. A cada dia, 500 mulheres se suicidam por dia. As mulheres sofrem. Não é fácil ser mulher.

Sei que dá vontade de chorar. O mundo me deixa triste, de verdade. Passo cada dia tentando ser sempre honesta, sempre feliz, sempre contribuir para o bem. Já me convenci de que existem mais pessoas boas que más nesse mundo, senão seria realmente o caos. Mas, por que existem tantas pessoas más?

😦

Deus me ajude!